15 Anos de Experiência Profissional
Os "famosos” Millennials, somos uma geração deveras marcante e única. Somos os últimos a crescer na era sem tecnologia, sem smartphones, sem Internet. Pudemos brincar na rua, inventar jogos, correr, andar de bicicleta, construir mini casas (sim, eu criei várias), comer terra e espicaçar a nossa criatividade para gerir o aborrecimento. Que, segundo me lembro, não era assim tanto.
O desenrasque permitiu-nos explorar as nossas capacidades mesmo sem saber. Na escola, ainda existia um respeito inerente pelos cargos de ensino e gestão. Quando a diretora passava no corredor, lembro me de todos nos comportarmos para recebermos um elogio adicional. Não crescemos revoltados mas incentivados de que a nossa geração seria a maior beneficiária das evoluções que viriam.
Tudo nos foi prometido. Lembro me claramente de uma professora indicar no secundário que o curso universitário, o famoso canudo, era uma garantia não só profissional como financeira. "Mil euros limpos" dizia com segurança. “É o que o vosso trabalho académico vos dá ao entrar no mercado de trabalho”.
Eu fui para a faculdade em 2008. O que aconteceu? Crise financeira. Quando me formei 3 anos depois e comecei a trabalhar, esses mil euros limpos só viria a alcançar uns ano depois. E a muito custo. Desde 2011, o meu foco estava em criar a minha carreira profissional. Deixar a minha marca, aprender e crescer.
Tudo com uma ideia muito romantizada do que seria uma mulher executiva. A roupa sóbria mas elegante. Viver em Lisboa, na capital, na cidade cheia de vida e vibrante. 15 anos depois, e a regressar do fantasma que é agora essa cidade, a única coisa que continua constante, é a mudança. Mas a ela se colou a regressão. De valores, de qualidade, de humanidade. Sempre corri atrás do que me parecia (e que foi ensinado) ser a forma que me traria qualidade e estabilidade na vida.
Dentro da caixinha dos pressupostos, sempre questionei mas sem me atrever a mudar esse rumo. Mas na realidade, todo o nosso sistema de ensino é virado para a criação de empregados. Para a criação de robots que leva as empresas, donos e accionistas, a viver sim, esse sonho de qualidade e estabilidade.
15 anos depois, começo a sentir que talvez tenha coragem de questionar o que há para além desta caixinha onde nos colocaram e onde muitos de nós se deixaram ficar. Eu incluída. Por ouvir mais os outros do que a mim mesma - e não só profissionalmente; principalmente, por ser mulher.
A geração seguinte que agora entra no mercado de trabalho, não quer nem está disposta a dar a sua saúde física e mental por uma empresa. Não por serem preguiçosos mas porque perceberam que não temos todos que seguir este padrão e que, para quem se dedicou a ele, os resultados estão à vista. E escuso de enumerar as dores que vivemos diariamente sobre a nossa identidade.
Inspirada por essa coragem, e porque me aproximo do meu aniversário dos 15 anos de carreira corporativa, vou criar uma série de vídeos para relatar essa experiência high level, sem bullshit e sem romantismos. Numa forma de retrospectiva, quero também relembrar me de tudo o que consegui alcançar e de que, daqui para a frente, as coisas não têm que ser dentro desta caixa. E talvez, com a vossa ajuda também pensar que outras opções poderão estar disponíveis para o futuro. Pois quero deixar de me sentir limitada. Nas minhas escolhas, pensamentos e reconhecimentos. Que sempre foram mais impostos por terceiros do que criados por mim.

